Um dos elementos mais comentados sobre o projeto Luz da Escuridão, foi a existência da língua fictícia chamada Sansico. Como já muito mencionado, A Luz da Escuridão é um universo de fantasia que se passa num mundo muito diferente do nosso. Tudo desde a biologia, física e culturas são diferentes do que temos no nosso mundo real. Isso tem um impacto também na língua falada pelas criaturas no universo e consequentemente no jogo.
Houveram 2 motivos principais pela decisão de usar a língua nativa dos sansios nas dublagens do game. O primeiro e principal motivo é uma questão de conceito. Como o objetivo é reforçar a natureza diferente e inédita do universo, a fala dos personagens em sua língua original é um fator de grande importância. Isso deixa o conteúdo mais instigante e imersivo além de tornar tudo mais convincente. O outro motivo foi mais uma questão técnica, já que o Luz da Escuridão é um projeto essencialmente “internacional” conforme acontece com a natureza do mercado de games mundial. Assim, em nosso caso, uma versão do jogo na língua inglesa é obrigatória e fundamental para outras pessoas fora do Brasil apreciarem o projeto. Mas com isso, problemas técnicos surgem, já que desde o princípio havia a decisão da presença de dublagem no jogo e a dublagem em duas línguas se mostrou algo problemático para o projeto devido questões logísticas e financeiras. Por essa razão, o sansico acabou caindo como uma luva, pois podemos ter uma única dublagem para todas as línguas que o jogo possa ser traduzida.
Sobre o Sansico, tivemos uma quantidade muito grandes de perguntas sobre ele. Como, por exemplo, como é o processo de tradução, se o sansico é apenas um “português o contrário”, a origem da língua no universo e etc. Sobre o aspecto técnico é importante ressaltar que o sansico não é um português o contrário! Por outro lado, o sansico até o momento não é uma língua inteiramente desenvolvida como o Élfico no Senhor dos Anéis. O sansico no momento é um meio termo. O objetivo na dublagem, assim como na escrita é que a língua seja realmente convincente, verossímil. Isso não se consegue com textos improvisados, é preciso haver palavras reais, sonoridade real e etc. Mesmo sem entender o que uma pessoa diz, ela consegue reconhecer os padrões da língua, consegue reconhecer a repetição nas palavras e etc. Por isso a o desenvolvimento do sansico tem necessitado um pouco de trabalho.
Sobre a história, o sansico era uma língua bem antiga no universo. Uma língua de um povo extinto chamado Sansios. Os Sansios eram outras criaturas bem diferentes das criaturas vistas durante as eras do Luz da Escuridão e que viviam numa época em que aquele mundo não era divido entre Luz e Escuridão. Era uma cultura que deu origem as culturas brancas e negras vistas até o momento. O sansico possuía 4 dialetos: O Sansico Antigo, O Sansico Pegahmo, O Sansico Branco e o Sansico Negro. Sansico antigo era o Sansico original. Sansico Pegahmo era uma variante de uma outra subcultura antiga. Sansico branco e negro são os dialetos mostrados até aqui.
As diferenças entre o sansico branco e negro eram vistas no alfabeto de cada um que é bastante diferente, mas também havia uma diferenciação na pronúncia. Essa diferenciação na pronúncia não era muito grande, seria algo como o português do Brasil e o de Portugal. Criaturas negras e brancas conseguiam se entender quando falavam, assim como Brasileiros entendem o que Portugueses falam.
Havia alguns aspectos peculiares em relação às duas línguas e seus alfabetos, como por exemplo, no sansico branco, a letra “U” era considerada uma letra associada a escuridão e assim considerada uma vogal “inferior”. Na escrita do sansico branco o U é sempre desalinhado para baixo, mostrando essa inferioridade. No mundo negro o mesmo acontecia, entretanto com a letra “A”, que era associada a luz e sua inferioridade para as criaturas negras. Essa vogal assim era desalinhada para baixo nos escritos sansicos negros.
Abaixo vejam imagens dos 2 alfabetos (clique nas imagens para ampliar):


Notem que a numeração nas duas culturas também era diferente da usada por nós humanos. Na cultura humana, contamos sempre usando uma base de 10. Essa base tem origem na quantidade de dedos que temos nas mãos. Pois no passado eram com as mãos que contávamos, e assim como só tínhamos 10 dedos, tínhamos que recomeçar a contar quando o número era maior que 10. Isso definiu nossa base de 10 símbolos numéricos. No mundo branco, as criaturas tinham 4 dedos em cada mão e não 5 como nós, assim eles só contavam até 8 e isso definiu a sua numeração na base de 8. Criaturas escuras tinham apenas 3 dedos em cada mão, o que originou uma numeração na base de 6. Assim, é importante notar que a contagem de tempo e de coisas era bastante diferente do que nós fazemos. Se fossemos contar 37 anos por exemplo, equivaliam a 45 anos brancos e a 101 anos negros. 1980 equivalia a 3674 em numeração branca e a 13100 na numeração negra. Os algarismos sansicos funcionavam de uma forma que lembrava os algarismos romanos. Existiam símbolos para apenas o número 0, o número 1, o número relacionado com uma mão (a metade da base) assim como números de dezenas, e as multiplicações relacionadas com os primeiros algarismos. Os números sansicos representavam de certa forma operações elementares. O numero 2 era representado por 1+1, o 3 por 1+1+1. O 7 (numeração branca) por 4+1+1+1 e por aí por diante. Números a esquerda significavam multiplicações. Assim 20 era representado por (1+1)*10, 6000 (numeração branca) por (4+1+1)*1000. Parece um pouco complexo e realmente é. Mas a numeração Sansica surgiu através dos processos naturais deles de contagem, que eram diferentes dos que resultaram na nossa forma de contar.
As fontes sansico (que foram dadas como recompensas para os apoiadores de $25 ou mais) são inspiradas em tipografias antigas. O alfabeto branco em tipografias romanas e o alfabeto negro em tipografias góticas. Para quem entende de tipografia, vai perceber que símbolos brancos possuem ênfase horizontal e são símbolos mais “estáveis” enquanto símbolos negros tem ênfase obliqua e tem aspecto menos “estável”. Essas características reforçando o conceito da dialética do universo. Os sansicos antigos e Pegahmos, ainda precisam ser “desvendados” pela nossa equipe de estudiosos dos textos antigos… Então devem demorar um tempo para descobrirmos como eles eram…
As fonte sansico branco foi desenvolvida por mim Fernando Rabello, a fonte sansico negro foi desenvolvida por Magno Laureano, ambas baseadas em um sistema de símbolos esboçado por Daniel Mafra.
Por fim, como havíamos anunciado antes. Colocamos no ar o Tradutor Sansico! O aplicativo é capaz de traduzir textos e palavras em português em sansico branco ou negro. É bem simples, basta escrever o colar o texto e clicar em traduzir! Caso a pessoa queira conseguir ler o texto (e testar sua pronúncia no sansico) pode clicar em “muda” para ver o texto traduzido em alfabeto latino. A tradução inversa está funcionando apenas parcialmente no momento, mas já é possível conseguir entender um texto sansico fazendo o processo inverso pelo tradutor.
O tradutor foi desenvolvido por Leonardo Kasperavicius da Instant Games. Fica um agradecimento especial pelo apoio ao projeto e sem essa colaboração não teríamos o tradutor.
Uma coisa que é importante salientar é que o Sansico presente no tradutor é um sansico “2.0″. Uma versão mais correta do sansico do que falado nos trailers mostrados até o momento. Então, algumas diferenças podem ser encontradas se as pessoas tentarem fazer as traduções dos mesmos testos do trailer. Novas dublagens estão sendo preparadas com a versão mais recente do sansico de qualquer forma.
O link para acessar o tradutor é:
http://www.thelightofthedarkness.com/tradutor/tradutorsansico.htm

“Farom Ares wo Dosprese… Ares wo Procinceote… Ares wo Gaerrus… On mehhe mondu coitohca cerrimpode o docedanto, ontruvuhmes namu navo are… U Are wu Pab o wu Oscahridue…”